domingo, 22 de novembro de 2009
dica 037 - Livrar o filho do serviço militar obrigatório
domingo, 15 de novembro de 2009
dica 036 - Achar que a Pena de Morte não é má ideia
Estamos na CartaCapital

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Adendo (dia 20 de novembro): Deixem-me desfazer uma confusão: quando digo que "estamos", na revista assim no plural, me refiro a todos que fazem o Blog. Eu, Pierre, e vocês leitores. O dono do Blog é uma pessoa só, mas quem justifica a existência disso aqui são vocês que leem, que participam ou não, tanto os que gostam, quanto os que não gostam.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
dica 035 - Fazer o que "todo mundo" faz

Um verdadeiro membro da Classe Média precisa estar em sintonia com seu grupo social, principalmente quando se trata do “instinto de manada” que lhe é característico. Como qualquer rebanho, este instinto é um recurso que o grupo possui para manter e perpetuar seu modo de vida, mesmo em qualquer adversidade. Como forma de justificar tudo o que faz de errado, ilícito, fora do padrão ou desaconselhável, ou mesmo algo que nada tem de errado, mas não se tem a mínima vontade de fazer, o médio-classista sempre pode apelar para o velho argumento: “todo mundo faz, então não tem problema se eu fizer”.
Isto se aplica às mais diversas situações e dificilmente você encontrará alguma em que não possa usar. Funciona quando alguém faz qualquer coisa que não era pra fazer, e é seguido por um segundo alguém. A partir do terceiro alguém, todos podem fazer uso desta maravilhosa estratégia: o que não era pra ser feito passa a ser “permitido”. Já a décima pessoa nem está com vontade de fazer, mas faz porque é permitido. E da décima quinta em diante, não se sabe mais por que se está fazendo aquilo nem por que começou, mas faz assim mesmo. Em resumo: não importa o quanto algo seja errado, quando todo mundo faz, este algo passa imediatamente a ser certo. E se esperar mais um pouco, em alguns minutos o que era certo vai virar algo como uma “obrigação social”.
As aplicações para esta ferramenta são muitas: estacionar em fila dupla, comprar um produto que não precisa, deixar de assinar a Carteira de Trabalho da empregada, comer no McDonalds, sonegar imposto, beber e dirigir, gostar de música sertaneja.
Na faculdade, por exemplo, o médio-classista acompanhou “todo mundo” e também usou drogas, passou trotes violentos nos calouros, dançou pelado e bêbado em cima da mesa, pagou para alguém fazer seu trabalho. No dia-a-dia da vida, ele vai votar em quem a Classe está votando nas eleições, vai arrumar um emprego só porque tem algum padrinho (mas dizer a todos que foi por mérito), viajar para o mesmo lugar que todo mundo, enfrentar fila pra comer no restaurante da moda.
Portanto, não importa o que você fizer. Caso se encaixe no que “todo mundo” faz, o que quer que tenha feito é plenamente justificável e ninguém o questionará. Pelo menos ninguém da Classe Média.
sábado, 7 de novembro de 2009
dica 034 - Tomar remédio para depressão
*Sugestão coletiva da caixa de comentários e do e-mail. Obrigado a todos que colaboram.Uma coisa que o aspirante à Classe Média tem que saber: dizer a todos que leva uma vida difícil. Na lógica médio-classista, sofrer de estresse com o trabalho e martirizar-se pagando impostos para manter o carro e a empregada faz com que a pessoa emane respeito e admiração. Por isso, nada melhor do que tornar-se um deprimido para em seguida poder tornar pública esta condição.
Muitos médio-classistas moderados recorrem também a psicólogos. Isso ocorre quando o cidadão não tem coragem suficiente para recorrer à química, mas carrega a necessidade de gastar dinheiro para fazer a citada publicidade de sua “miséria”. Tal método com certeza atinge, de certa forma, este objetivo, mas o destemido que vai direto ao psiquiatra para buscar a receita de seu comprimido obtém ganhos muito mais expressivos em sua reputação.
É bom saber que antidepressivos também têm outra importante função, além de publicar seu sofrimento em troca de status social. O antidepressivo é uma espécie de “entorpecente legalizado”, algo como a mistura de maconha (para relaxar) com cocaína (para criar a necessidade de consumir sempre). Com ele, o médio-classista pode se drogar à vontade e, mesmo assim, continuar falando mal de traficantes e usuários das outras drogas que a lei não permite. Além do mais, se você é da Classe Média, você tem direito. Afinal, como bom observador, culto, inteligente e esclarecido que o membro da classe é, ele sabe que vida boa é a de pobre: não paga escola pros filhos, nem plano de saúde, nem prestações e manutenção de carros caros, e nem impostos. Logo, está aí uma grande justificativa pra tomar o remedinho: felicidade é coisa de pobre.
