terça-feira, 11 de agosto de 2009

dica 023 - Ser concurseiro


*sugestão de Rodrigo Cardia, do Cão Uivador

Todo médio-classista precisa de um emprego. Bom... precisar, precisar, não precisa. Mas quer. E quando médio-classista quer uma coisa, não pode ser qualquer coisa. Esse tipo de personagem é acostumado, de berço, a ter tudo o que quer, do jeito que quer. Logo, um emprego para ele tem que valorizar o que ele tem de melhor (o fato de ser da classe média) e não pode exigir dele mais do que é justo (trabalhar, por exemplo). Logo, eles deduzem que ser empregado ou servidor público é um sonho de consumo para suas pretensões.

A necessidade de emprego para a Classe Média é diferente do que para o restante das pessoas. Não é o fator financeiro que conta, afinal, a família já o sustenta. Mas para que a família o sustente, o médio-classista precisa dar uma "satisfação", sendo "útil para a sociedade" e "achando um rumo na vida". Não significa que vá ajudar nas despesas em casa. Muito menos que vá viver exclusivamente dos rendimentos deste emprego. Mas vai ficar de bem com o papai (sempre tão ocupado) e a mamãe (sempre tão preocupada).

Assim sendo, médio-classistas se postam, Brasil afora, tal qual um exército de desesperados a estudar para concursos públicos diversos. O bom disso é que só o fato de estudar já é considerado, pela família, como uma ocupação. O período de estudos, que pode levar alguns anos, é tido como a própria profissão do médio-classista em questão. A família paga cursinhos, material didático, inscrições, viagens e o que mais for necessário, para que ele fique treinadinho da silva e conquiste, um dia, uma vaga na repartição. E lógico, também paga para que nosso personagem alterne baladas diversas, turismo e diversões das mais variadas posições em relação à lei. Afinal, ele nasceu na Classe Média. Fez por merecer.


38 comentários:

Rodrigo Cardia disse...

Nada mais médio-classista do que o fenômeno dos "concurseiros".
Pobre é "vagabundo que não aproveita oportunidades", enquanto o médio-classista "se mata" trabalhando e diz: "querem ser como eu sou, trabalhem como eu". Mas sonhando com a tal "estabilidade", para não precisarem mais "se matarem" trabalhando para manterem o emprego. Aí alguns até param de trabalhar! Só para "se matarem" estudando para o concurso...
Muito bom o post, Pierre!

Bruno disse...

Esse post foi escrito com um espitito um tanto quanto "classe média", afinal nada mais classe média do que criticar funcionário público, chamar de vagabundo, sangue-suga dos nossos impostos...

Rodrigo Cardia disse...

Eu sou favorável à existência do funcionário público. O problema é justamente que a maioria das pessoas que sonha em passar no concurso, não é por querer prestar um serviço à sociedade (essa é a função do servidor público) e sim para "conseguir a estabilidade", o famoso "dar um jeito na vida".

Augusto Barros disse...

Bom, mas acho que só esqueceu da parte em que as pessoas fazem uma faculdade (Direito, para variar) só para fazer concursos e cagam para o que podem aprender.

fred disse...

Magnífico Blogue!
já foi pro google reader.

Não sei se concurso combina com a classe média...

Estudar 12 horas por dia combina mais com hospício :D

Classe média combina com as profissões da moda: jornalismo, publicidade e a recente "pro-blogagem" (pro-bobagem, diria vovô).

Família que não tem pelo menos um blogueiro, não é família de classe média.

Concurseiro que é concurseiro tem até o pau virado pra esquerda, ou seja, tem ojeriza a burguês (mesmo que se tornem depois de um tempo).


abrax

. disse...

Foda.

Parabéns por dizer a verdacde de uma forma inteligente e bem humorada.

Josi disse...

hahaha engraçadíssimo. eu estudo pra um concurso específico, mas definitivamente nao nas condiçoes explicitadas por voce. Porém, devo admitir, na minha classe vem e vão dezenos animaizinhos identicos ao que vc descreveu! haha

Josi disse...

opa, "dezenAs de animaizinhos"

Anônimo disse...

gente, eu se divirto com vosses da classe media. rico que sou, nao por trabalhar mas por ser um cara de visao, gosto de ver a classe media de cima e de drentro do meu aude.

Anônimo disse...

"Eu sou favorável à existência do funcionário público. O problema é justamente que a maioria das pessoas que sonha em passar no concurso, não é por querer prestar um serviço à sociedade (essa é a função do servidor público) e sim para "conseguir a estabilidade", o famoso "dar um jeito na vida"."


Excelente post, um dos melhores do blog. Porém, o que o Rodrigo Cardia escreveu aí em cima é muito verdadeiro, e acho que poderia complementar a postagem do Pierre.

De fato, a maioria dos concurseiros não pensa no real significado daquela profissão do serviço público que eles estão pleiteando. O que eles é a compensação financeira e o status social conseguidos com isso. E SÓ.

Não é pelo bem da sociedade para a qual prestarão serviço, mas somente pelo bem deles. Típica mentalidade classe méRdia.

kleber disse...

Tem um errinho aí. Quem disse que "Todo médio-classista precisa de um emprego. Bom... precisar, precisar, não precisa." nao conhece a classe média. Classe média nao vive de renda, nao tem dinheiro gurdado que resista a filho desocupado, a câncer ou atropelamento. A afirmaçao feita pelo criador do texto valeria pra rico. Parece que o criadoor do tópico é rico ou pobre - ou seja, idealiza a classe média, ou a despreza, mas nao sabe como ela vive. De resto o blog é divertido.

Srta. Cabeça de Batata disse...

Bruno, funcionário público é o cara que quer se ACOMODAR na vida, isso é a mais pura verdade!!! Pelo menos no BR é, não sei nos outros países.

Vc vê o funcionário público de longe, aquele sossegado, que tem mil férias e bônus por ano, que não se estressa com nada, anda a passeio em pleno trânsito pesado... por quê? Pq de novo, tem mil férias e bônus por ano, a cabeça dele está mais do que descansada e despreocupada... (lembrando, não generalizo, mas acho que uns 95% deles são assim)

Um cara que trabalha duro, vende as férias e tudo mais pra sustentar a família, vc vê o cara assim, sossegado, sem um pingo de stress? É claro que não!

E concordo com o post e com o Rodrigo, funcionário público seria uma mavarilha se fossem pessoas que quisessem realmente prestar serviço a sociedade e não se acomodar no governo.

Srta. Cabeça de Batata disse...

Ah! E outra... o que não falta é funcionário público fazendo greve! Que absurdo! Têm toda a mamata e ainda faz greve? Vão pro inferno. Tudo isso por causa da lei que proíbe a demissão de concursados.

Enquanto a gte, proletariado de empresas particulares, ganhamos mal, temos que engolir sapos, calar a boca e se soletrarmos a palavra greve, vamos pro olho da rua, sem dó nem piedade. E por que? Porque escolhemos nossa profissão (eu, ao menos) por amor a ela e não por acomodação "aqui ganharei mais fazendo qlqr merda pro povo" ou como mtos que não podem escolher uma pofissão porque a necessidade vem em primeiro lugar.

Adilson disse...

nah, ser funcionário público não combina com o espirito empreendedor que o médio-classista tanto glorifica.

Anônimo disse...

Tem uma coisinha, quando não passa, ele diz que foi um concurso de cartas marcadas, por apadrinhados.

Zé Matarazzo disse...

hahahahahaahahaha
adoreeeeei

eu não supoooooorto gente que fica rezando pra Deus pedindo um empego publico pra nao ter que trabalhar mais

eu tenho asco desse povo...rsrsrsrs

Zé Matarazzo disse...

e eu concordo plenamente, pq o problema não SER funcionário publico. Se o sistema funcionasse, eu seria o primeiro a trabalhar pro bem geral. Mas não funciona...
E o brasileiro não quer ser funcionário publico pra trabalhar pro estado e pros ouros, ele quer é coçar o saco! como sempre quis...

Anônimo disse...

Excelente,
Outra ideia para um post "ser classe média é generalizar tudo e todos com argumentação sem base".
Coisas como o "sistema nao funciona" chegam a ser hilarias, quem é o sistema cara-palida?
Somos nós...
Arrumemos o sistema entao.

Anônimo disse...

nossa, que inversão de valores... os filhinhos de papai são aqueles que trabalham nos escritórios pois gostam de competir e dizer q "dao o couro" nesses antros de arrumadinhos já q sabem q podem pedir pra sair a qq momento pq o pai vai sustentar ("proletariado de empresas" porra nenhuma)

concurseiro PRECISA trabalhar, sim!não quer justamente ficar a vida toda num lugar sob o risco de ser demitido por corte de gastos (engraçado que cargo de chefia nunca é cortado)

servidor tem 1 mês de férias como qualquer pessoa... trabalha todos os dias, 8h/d... essa visão esteriotipada é tipica dos "economicamente liberais" (a acham q o governo não tem q se meter na vida das pessoas e q as leis do mercado são justas, HA!) q não dependem do serviço publico NUNCA, mas qd se sentem afetados, querem q o funcionario os atenda na hora q bem entendem e resolva tdo como se fosse simples e estivessem com a razao sempre

não q mordomia não ocorra no setor público... o executivo é uma farra absoluta (vc elege um, e ganha 1900 assessores de brinde, q não foram eleitos nem prestaram concurso, mas foram chamados para esses cargos de confiança sem comprovar habilitação pra exerce-los), o legislativo é a vergonha nacional e mesmo no judiciario os desembargadores e cia (qm realmente manda, não um servidorzinho) tem bastante liberdade, horario flexivel, ferias maiores, etc

Henrique Vicente disse...

Funcionário público é parasita da sociedade.

Funcionário público tipo fiscal, aí não apenas é parasita, mas bandido.

Minha propriedade privada é minha e bandido nenhum tem direito de tomá-la.

Pedro disse...

Para o anônimo funcionário público:

O sonho de TODOS os concurseiros é um só: ESTABILIDADE.

Tal estabilidade, a mesma que eles tinham quando eram sustentados pelo papai, é proporcionada por apenas um empregador no Brasil.

Esse empregador se chama Estado.

Você criticou com mais veemencia o executivo e o legislativo, portanto deve estar querendo se pendurar nos cabides do judiciário, né?

Pois é, um estudo publicado no site "consultor jurídico" explica que para cada dia trabalhado, o judiciário descansa um dia! Se isso não é vagabundagem, eu não sei o que é!

Segundo a pesquisa: "Durante cerca de 180 dias, o Judiciário em todo o país funciona em esquema de plantão. Apenas medidas urgentes, como Habeas Corpus e Mandados de Prisão, são despachadas. De resto, não há sessão, não há julgamento, não há prazos. Em uma escala coletiva, sem se ater ao direito individual do cidadão (réu e vítima) de ver sua causa julgada em tempo hábil, não é exagero dizer que a lentidão da Justiça prejudica a economia do país."

Anônimo, trabalhar 8hs por dia é coisa de concurseiro mesmo (classe média). Quem é pobre trabalha mais, pra ver se melhora a "renda", né? Quem é rico, ou nasceu rico, ou trabalhou muito mais que 8hs/dia pra ficar rico.

A conta do concurseiro é: eu fico sem trabalhar uns 5 anos tentando passar em algum concurso (com o pai pagando) e quando eu passar eu tenho garantido uns 10 mil reais por mês pra pagar o que o papai não paga! HAHAHAHAHAHHAHA

Vai trabalhar, concurseiro vagabundo.

ariel_269 disse...

É coisa de classe mérdia sentir inveja da posição dos outros em vez de buscar uma situação boa para você também. Ninguém aqui gostaria de trabalhar 8 horas por dia e ter tempo para dar atenção aos filhos.

Coisa de lacaio da classe média ser explorado pelos patrões e achar bonito.

Anônimo disse...

E o autor do blog deve ser um classe média falido; ou seja, não conseguiu passar num concurso público e agora tem que trabalhar como um idiota e ganhar nada por isso.

Sem contar que essa história de criticar classe média é sempre coisa de classe média! Hahaha!

Erica Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Esquemas táticos disse...

hahaha. Essa foi ótima!

Anônimo disse...

A Eliana Catanhedê leu, concordou e adicionou sua opinião sobre concurseiros e funcionários públicos. Olimpo da classe média ela!

Anônimo disse...

E verdade. Mas duas observações são necessárias. Primeiro: não se trata de qualquer concurso! os objetivos prioritários são concursos para juiz e promotor (e não é que lá estão os médio-classistas a fazer "justiça"!). Segunda observação: apesar de pretenderem estabilidade e salários gordod, são todos encantados pelo admirável mundo novo da globalização neoliberal, todos professam a fé privatista da globo e da veja. O Estado gigante deve ser combatido (desde que se tenha um dos melhores salários do serviço público). Eis um paradoxo, entre tantos outros, dos médio-classistas!

Léo disse...

O blog é excelente, muitas verdades são ditas de maneira divertida, mas discordo desta postagem e de alguns comentários. Uns desvalorizam concursos públicos e justificam dizendo que no brasil ninguém trabalha direito. Coisa de proletariado emergente classe C/D, exatamente no mesmo sentido dos médios-classistas tão comentados.
A maioria destes nunca fez um concurso público, quando vem desvalorizar concursos para juiz/promotor, fiscais etc. Isto é Brasil, amigo. Qual o modelo ideal? O [i]commom law[/i] dos Estados Unidos e países saxães ou a Justiça eficaz européia capitaneada pela Alemanha?
O concurso público visa selecionar indivíduos no mínimo aptos para o ingresso nestes cargos públicos. Caso contrário, me arrepia imaginar indivíduos que escrevem comentários assim decidindo uma questão judicial.
Tem por aqui uma nova característica observada tanto nos médio-classistas quanto no proletariado emergente classe C/D (agora com notebooks brasileiros): ignorância travestida de sabedoria de "google" demonstrada em pessoas falando de algo que não fazem a mínima idéia.

Léo disse...

Só corrigindo. O commom law era para ser itálico, porém saiu apenas o código html ([i][/i]), errado por sinal.

Léo disse...

Corrigindo de novo|
*Saxões

Anônimo disse...

Esse post foi escrito com um espitito um tanto quanto "classe média", afinal nada mais classe média do que criticar funcionário público (2)
Nunca vi uma pessoa atrás de status querer ser funcionário público... é justamente ao contrário! Candidato a classe média respeitado tem q ser empresário, publicitário, jornalista, médico etc.
Mas é verdade q tem um monte de burguês curtindo a grana do papai, q inventam estar estudando pra conseguir uma ocupação na vida, depois da faculdade mal feita e bem paga. E esses quase nunca conseguem um cargo público de maneira honesta: são os chamados comissionados.

Douglas Yamagata disse...

Mais engraçado é que a classe média diz que funcionário público é tudo vagabundo e que as coisas públicas não funcionam. No entanto, vivem prestando concurso para poder ser funcionário público.

Leonardo disse...

"Classe média combina com as profissões da moda: jornalismo, publicidade e a recente pro-blogagem" (2)

"ser funcionário público não combina com o espirito empreendedor que o médio-classista tanto glorifica."(2)

"Esse post foi escrito com um espitito um tanto quanto "classe média", afinal nada mais classe média do que criticar funcionário público" (3)



- Fazer concurso é tentar um emprego, ou um emprego melhor tal como na esfera privada - que inclusive tb usa
o recurso de seleções. Agora ser concurseiro qdo na verdade se é um vagabundo que faz so isso na vida é outra coisa..

- quem disse que classe media nao precisa de emprego? voce deve ta se referindo a ricos.. ricaços, eu diria!!

- E tb existe a diferença entre concurseiro e funcionario publico... falam como se nao devessem existir os funcionarios publicos
(e isso sim é um preconceito de classe media):juizes, policiais, serviço de imigração, garis, carteiros seriam funcionarios da esfera privada? me poupe!!!

Kelvin disse...

Cara você realmente é imbecil, qualquer idiota sabe q empregos provenientes de concurso publico tem boa estabilidade e salários satisfatórios/altos, ninguém procura passar em um concurso publico pra agradar a família e sim pra garantir estabilidade financeira, você tem um pensamento muito social das coisas, isso q da nunca ter tido ambições na vida, me diz quanto você ganha escrevendo pra esse blog?não ganha dinheiro, o reconhecimento é baixo e a experiência adquirida é inútil, acho que você não notou que esse seu blog é apenas uma maneira que você tem de se sentir “útil para a sociedade”, quando na verdade você não toma decisões úteis nem para você próprio.

Anônimo disse...

Esse discurso contrário ao Serviço Público, bem como ao direito de prestar quantos concursos vc quiser, tendo os requisitos para tal (direito constitucional, não é mesmo?) só pode ser obra e graça de algum empresário ou administrador de empresas.

Aliás, nada mais classe média que esturdar Administração de Empresas e achar que aquilo é conhecimento.

O engraçado é que a classe média sonha em ser gerente (sempre chefe, nunca empregado) de qualquer coisa, em qualquer lugar, bater a famosa foto com os bracinhos cruzados e ter um Audi na garagem. E tudo bem! Nada de errado.

Mas investir em um direito constitucional (concursos públicos) faz de vc um parasita? Putz! Me poupem!

André disse...

Este blog certamente foi escrito por algum sujeito metido a revolucionário que não tem dinheiro para comprar um carro, mora numa casa, ou melhor, num barraco e tem esperança de que o governo um dia melhore nesse país de corruPTos.

Gosto do tom de ironia dos textos, entretando. Só não entendo o pq de tanto ódio à burguesia. Alguns hábitos eu até concordo, como ter cachorro, coluna social, prestação, religião, etc. Agora o que tem a ver morar em apartamento? Ou ser contra o bolsa-cabresto?
Não é apenas a CM, mas toda a elite desse país.

Anônimo disse...

"Enquanto a gte, proletariado de empresas particulares, ganhamos mal, temos que engolir sapos, calar a boca e se soletrarmos a palavra greve, vamos pro olho da rua, sem dó nem piedade. E por que? Porque escolhemos nossa profissão (eu, ao menos) por amor"

Vocês, empregados das empresas particulares, sentem amor pelo MASOQUISMO. Amor incondicional, só amor materno.

Gelson Pampinelli

Jose Carlos disse...

Quanta besteira, o cara cria um estereotipo de algo que não existe...
teria vergonha de ter filho concurseiro pois tres coisas acabam com um país: funcionarios publicos, sindicalistas e POLITICOS, os tres no Brasil tem em excesso. Não produzem nada e ainda atrapalham o crescimento do Brasil.
Não fosse o agro negócio e algumas empresas prestadores de serviços este país já teria ido a bancarrota.
vagabundo é pouco pra chamar esta geração de concurseiros. LIXOS.