terça-feira, 11 de agosto de 2009

dica 022 - Achar que seus empregados têm que gostar de você

Ser da Classe Média não é só ter empregados. É achar que os empregados têm que lhe dedicar a mais pura e sincera amizade. Afinal de contas, essa pessoa precisa estar o dia inteiro no âmago do seu lar, pois nossa tecnologia ainda não permite que se faça serviço doméstico não-presencial. E, convenhamos, ignorar a presença de uma pessoa por tanto tempo é muito cansativo.
A amizade, para o médio-classista, é um pouco diferente daquela idéia clássica que todo mundo tem. Quem é da Classe sabe que "amigo" é a pessoa que te faz ou que te deve um favor: uma indicação para um emprego, uma vaga para o filho naquela escola concorrida, uma dica de imóvel para investimento, etc. Portanto, para as atividades que no cotidiano se contaria com os amigos, nossos heróis, não tendo com quem contar, aproveitam que já estão gastando dinheiro mesmo e adotam seus empregados por amigos-confidentes.
A escolha de um motorista, empregada doméstica ou caseiro precisa ser bem criteriosa. Além das capacidades técnicas para a execução do serviço, essas pessoas precisam gostar de você, respeitar seu cônjuge e adorar seus filhos. Tem que estar disponível a qualquer momento para os desabafos, os xingamentos, os choros, no melhor estilo válvula-de-escape. E claro, tem que custar barato, afinal os encargos trabalhistas são um roubo para quem emprega.
O melhor de tudo é que a contrapartida não existe. Você não será obrigado a conhecer as lamúrias do serviçal, até porque se você deixar ele vai se fingir de triste, e dizer que mesmo com aquela vida boa que ele leva, é capaz de ter problemas. Ainda bem que ouvir não faz parte do protocolo. O empregado só precisa estar do lado, ouvir, acenar com a cabeça, concordar com tudo e no mais, ficar calado. Quem já teve um cachorro sabe como é a experiência.

17 palpiteiros:

Tiago Mesquita disse...

Ser madrinha ou padrinho do filho da empregada

Lucas Santos disse...

faltou o seguinte:

a empregada deve gostar do patrão da classe média especialmente para que não exija direitos trabalhistas, para que não peça aumentos e para não 'colocar no pau' numa eventual dispensa de serviços.

Essa relação de amizade é conquistada tbm através de caridade: uma roupa velha do filho da classe média é dada de presente pro filho da empregada, um sofá que iria ser jogado fora é dado pra empregada.

Mas essa relação tem o preço: a empregada não poderá pedir aumentos, nem exigir direitos trabalhistas pois a patroa se sentirá "traída": "Eu dei fogão pra ela, e agr ela vem me falar de carteira assinada!".

Aliás, outra coisa que a "amizade" ferra com a vida das trabalhadoras e livra a cara das patroas: Faltando 5 minutos para a empregada ir embora, a patroa diz: "Ai, Maria, não dá pra você ir buscar a Aline na escola pra mim?" Tudo isso sem pagar hora extra!

A amizade patrão-empregado é mais um jeito da Classe média fazer o que mais gosta: levar vantagem, mas cordialmente, claro.

ps: as caridades tbm ajudam a classe média a, ao invés de sentir peso na consciencia por n pagar os direitos devidos, considerar a empregada alguém que deve muito à família que a contrata. Pensamentos do tipo: "Nós ajudamos pra caramba ela, demos roupa velha pro filho, sofá usado... Se não fosse a gente, ela não tinha nada".

Isso faz a consciencia da classe média ficar limpinha limpinha, e torna a empregada alguém que moralmente está sempre em dívida com os patrões. E quem está em dívida, não pode reivindicar nada.

Anônimo disse...

faxineiras pontuais e q não roubassem já tavam de bom tamanho... paga-se 100 reais por um dia de trabalho, a critura chega às 10 e quer ir embora às 5 (com parada pra almoço, pra atender celular, e pra se arrumar no fim do dia - param, portanto, por volta de 16h)

ainda inventa q não pode botar a mao na agua sanitaria, sai varrendo qualquer coisa eventualmente caída no chão direto pro lixo (brincos, papeis, até lente de óculos) e não tem capacidade mental pra botar nada no lugar onde estava antes

to vendo q vc se baseia unicamente nas novelas da globo para escrever rs

Mallu Cunha disse...

P/ Anônimo 12 de Outubro de 2009 00:24

Nossa, você é um personagem ou é real mesmo? Caramba eu nunca li tanta asneira saindo de uma mente tão imbecil...

Mauri disse...

Eu ia escrever um comentário, mas a Mallu já resumiu bem o que eu ia dizer, portanto me limitarei a assinar embaixo.

jiraya disse...

Não sei se as coisas SEMPRE aconteçem na vida real, pois nunca contratei empregada. E tem muita gente espertinha por ae. Mas nas novelas é SEMPRE assim, com certeza.

Milton disse...

Dica de Pauta: Trocar de carro quase todo ano, afinal, como dizem para minha mãe, as coisas estão difíceis, a crise, a gente está cortando gastos, e precisamos diminuir os seus dias... mas o trabalho permanece o mesmo, obviamente.

Genital Lacerda disse...

A proverbial insensatez nacional se exprime em muitas formas e meios. Duas me parecem mais, digamos, espetaculares: A televisão e o transito. E na TV essa forma mais cristalizada é a novela. E tudo que ocorre é transformado em novela. Digo isso pensando em dois mortos celebres: Tancredo Neves e Ayrton Sena. Em ambos os casos foi providenciado um tema musical fúnebre que servia de trilha sonora a uma interminável e tenebrosa novela. Dias a fio, o dia inteiro. O povo chorando, gemendo e se descabelando. Induzido pela latumia televisiva.
Esse negocio de novela só existe na América Latina, em alguns paises, onde persiste um tipo de subdesenvolvimento mental similar. As coisas são mantidas num mesmo estagio o maior tempo possível. Não se permite evolução. A realidade patina num mesmo lamaçal espiritual por um tempo que se procura esticar ao maximo. Transferido para a vida, digamos, “real” temos uma ditadura militar que ia durar um ano, ao fim do qual teríamos eleições gerais, e durou 20 anos. A transição democrática, quando o sistema autoritário já tinha falido também durou mais 20 anos. Por isso o único gênero literário tipicamente ibero-americano pq dá conta da realidade local é o realismo fantástico.

Valmir Marques disse...

por falar em Ayrton Senna, o unico heroi nacional era um motorista, e nem dos melhores pq morreu de acidente de transito..enfim isso deve dizer algo sobre os valores da nacionalidade não acham?

Valmir Marques disse...

por falar em Ayrton Senna, o unico heroi nacional era um motorista, e nem dos melhores pq morreu de acidente de transito..enfim isso deve dizer algo sobre os valores da nacionalidade não acham?

Anônimo disse...

Putz... o problema deve estar comigo. Eu nunca fui de abrir minha intimidade com a empregada, mas já tive empregada testemunha de Jeová que tentatava me converter (coitada), outra que contava coda a saga da filha em busca de emprego (mas dessa senhora eu gostava muito, ela trabalhava pra caramba só que a filha era folgadinha mesmo), e por aí vai...
Tem muito patrão foda por aí, que se acha dono do funcionario. Mas do mesmo jeito que eu não posso largar meu serviço pra ir ao shopping no meio do dia, porque algumas empregadas acreditam que podem parar tudo pra ver tv?

Anônimo disse...

Empregados domésticos e empregadores não precisam ser amiguinhos. Trata-se de uma relação comercial onde se troca "valor por valor" (leia um pouco de Ayn Rand). O problema é colocar isso na cabeça, porque empregadores e empregados domésticos pensam assim: "como o trabalho é realizado em casa, "siamo tutti famiglia e buoni amici"". Falta de objetividade. Aqui, empregada doméstica tem todos os direitos trabalhistas, mas também tem crachá de ponto, recebe holerite, e cumpre o regulamento interno da casa. Tudo em contrato. E ponto.

Bel disse...

Se eu sou explorado, posso (e mereço) explorar também, né não Anônimo?
Aff.....


Faltou fazer referência a isso que o Anônimo disse no texto. Faltou também dizer que "as madame" crasse média acham politicamente incorreto falar "empregada doméstica" (mesmo que o termo se refira primeiramente ao serviço prestado no lar) pois "as madame" encaram como uma condição social tão baixa que jamais pode ser referência para a "Creuza", a minha querida "amiga do lar" que "limpa tudo certinho", "não fala errado", "fica com as criança até mais tarde" e etc...
Eu já ouvi tanto termo pra "empregada doméstica" mas o único que me vêm a mente e acho o pior de todos é o tal "secretária".
Pq secretária, secretária mesmo, hoje é "secretária executiva", pra não ser confundida com uma reles "do lar", né? Por favor.

Anônimo disse...

Cara, acho que não existe pior relação no mundo do que patroa e empregada doméstica! Não, existe sim: maurício ou patrícia (filhos da patroa) x empregada doméstica!!

Anônimo disse...

achei o seu blog de extremo teor preconceituoso, vc eh o tipico estereotipo do comunista de apartamento, que adora escrever e acha que um dia o mundo vai viver em paz e com todo mundo se amando tendo as mesmas coisas, nao sou da classe media, estou longe de ser, mas esses negocios de dicas, achei ridiculo, esta esculachando atividades que as pessoas fazem, ou gostam ou escreve algo que ve na tv, po cara que bom que saiu da frente dessa merda de pc, e foi cair pra realidade, se eu fosse vc nem atualizava mais.

Anônimo disse...

Perfeito texto, e a foto ilustra bem, a sempregadas da classe média tem que estar uniformizadas...

Priscila disse...

No Brasil, a classe média só consegue ter empregada doméstica porque elas custam relativamente pouco, porque o salário mínimo é ridículo etc.

Eu moro há três anos na Suíça com uma família... de classe média, rs. Por meio deles conheci outras famílias de classe média, tanto daqui como dos países vizinhos. E garanto: ninguém tem empregada. Ter empregada aqui é pra poucos, porque elas são qualificadas (sério!! é preciso ter formação para trabalhar como doméstica) e portanto custam mais.

Em compensação, ninguém sente falta de ter empregada. O "classe média way of life" dos europeus, em geral, é bem mais modesto que o nosso. E estou falando de gente altamente qualificada, com empregos "respeitáveis" e bem pagos, gente que tem mestrado/doutorado, que lê bastante, que passa férias no exterior etc. Chega o sabadão de sol, esse povo todo simplesmente abre as janelas e começa a faxinar, sem frescuras. :)